
Por Sérgio Mello
O Nictheroyense Football Club foi uma agremiação da cidade de Niterói (RJ). Fundado no domingo, do dia 11 de Maio de 1913, por um grupo de esportistas: Alberto Callado, Gastão Ramos, Alípio José dos Santos, Antônio Freitas I, Antônio Freitas II, Manoel Rocha e Sylvio Vieira Goulart.
No mesmo dia foi aclamada uma Junta Governativa, que ficou assim constituída:
Presidente – Antônio de Freitas II; Secretario – Gastão Ramos e Thesoureiro – Alberto Callado.
Primeira Diretoria
Na segunda-feira, do dia 30 de Junho de 1913, foi eleita a 1ª Diretoria, composta pelos seguintes membros:
Presidente – Antônio de Freitas II;
Vice-Presidente – Adalberto Guimarães;
Thesoureiro – Alberto Callado;
1º Secretario – Antônio de Freitas I;
2º Secretario – Oscar Villela;
Procurador – Alípio José dos Santos;
Director de Esportes – Gastão Ramos.

Clube ajudou a fundar várias ligas
O Nictheroyense foi um dos fundadores da extinta Liga Sportiva Fluminense, depois ajudou a fundar a A.F.E.A. (Associação Fluminense de Esportes Athleticos) e A.N.E.A. (Associação Nictheroyense de Esportes Athleticos).
Sedes e campos
No começo, o campo ficava na Rua Coronel Gomes Machado, esquina da Visconde de Sepetiba, em Niterói. Teve também como campo situado na Praça de Esportes ficava na Rua Santa Clara, s/n, na Ponta da Areia, em Niterói (RJ).
Em 1919, a sua Sede social ficava na Travessa General Andrade Neves, nº 4, no Centro de Niterói. Posteriormente a sua Sede social passou a ser na Travessa Cadete Xavier Leal, nº 30, no Centro de Niterói.
O seu campo foi inaugurado no domingo, do dia 23 de março de 1919, na Rua Marques do Paraná, s/n, no Centro da cidade. O local foi cedido pelo então prefeito de Niterói, Eneas de Castro. A partida terminou empatada em 2 a 2 com o Ypiranga Football Club. O time formou com: Gastão Ramos; Jovelino e Damazio; Antônio Neves, Tavares e Melo; Dick, Antenor, Bilu, Oscar e Leci.
A iluminação foi instalada em 1930, com grandes festejos durante o mês de julho. No dia 5, era feito o teste às 21 horas, com benção feita pelo Monsenhor Xavier seguindo-se os discursos de Antônio Mota, Acúrcio Torres, pela ANEA e Alarico Damazio, pela AFEA, que eram as duas entidades que dirigiam o futebol na cidade.
Pioneiro no futebol noturno no estado
Foi iniciador de temporadas noturnas no Estado do Rio, inaugurando, em 1928, a instalação elétrica no seu campo.
O 1º jogo noturno no campo do Niteroiense foi no sábado, do dia 12 de julho de 1930, com o Fluminense de Friburgo, derrotando o Gragoatá por 3 x 1. O amistoso encheu o estadinho do alvinegro e após a preliminar, onde o São Bento venceu o Canto do Rio por 2 x 1. o árbitro Álvaro Silva chamou os dois “captains” e deu início ao jogo principal.
Lindório, Bonin e Pedrinho marcaram para os friburguenses enquanto que Marão diminuiu para os niteroienses. Os times jogaram assim:
Fluminense: Otílio; Martins e Henrique; Bassani, Hugo e Bizoto; Bonin, Pedrinho, Leal (Nonô), Lindório e Bocan.
Gragoatá: Arnaldo; Bibi e Luiz; Thimóteo, Almeida e Luciano; Eduardo (Marão), Valdir, Pudinho, Clovis e Thelio.
Vivia então o alvinegro, sua fase áurea, enfrentando grandes equipes do Rio e reunindo ainda nos dias de semana, grandes astros da música popular brasileira que se apresentavam na sede para as “camomilas e beladonas” tendo uma “pelada” de futebol como exercício. Dentre eles, o Silvio Caldas que se reunia ao lado de Ciro Monteiro, Nono, Roberto, Dutrinha e outros.
Em 1915, o Nictheroyense foi um dos fundadores da Liga Sportiva Fluminense (LSF), em Niterói. A entidade organizou campeonatos estaduais de 1915 a 1925, tornando-se em 1918 a representante oficial do estado perante a CBD (atual CBF).

Ingressou na ANDT
Com a dissolução da LSF, em 1925, o clube se filiou a ANDT (Associação Nictheroyense de Desportos Terrestres), onde ficou até fevereiro de 1927, quando o simpático Grêmio alvinegro da Rua Visconde de Sepetiba, quando saiu em razão pelo declínio da ANDT.
Em seguida, no dia 18 de março de 1927, o Nictheroyense acabou sendo o 1º clube da ANDT a solicitar filiação a AFEA (Associação Fluminense de Esportes Athleticos).
Os títulos conquistados
Em 1922, conseguiu levantar o campeonato infantil, patrocinado pela L.P.F;
Em 1917 e 1924, também na Liga Sportiva Fluminense foi campeão dos Segundos Teams;
No ano de 1918, levantou brilhantemente campeonato da cidade dos Primeiros Teams;
A sua equipe secundaria em 1917, venceu o Torneio dos 2º Quadros;
Campeão dos Primeiros Quadros, em 1923;
O Primeiro Quadros também campeão do Torneio Initium, em 1924;
Em 1931, sagrou-se campeão do Torneio Initium dos 1.º e 2.º Quadros.
Até 1927, o Nictheroyense acumulava 28 taças, dois bronzes e diversos troféus na sua Sala de Troféus.
Campeão Campeonato Niteroiense de 1937;
Campeão do Torneio Início do Campeonato Niteroiense: 1931 e 1945.
Jogadores que serviram o Selecionado Fluminense
Nos anos 10 e 20, o Nictheroyense tinha cedido jogadores para a Seleção de Niterói e Fluminense, em Campeonatos Brasileiro de Seleções Estaduais, como Dick, Raymundo, Gastão, Figueiredo, entre outros.
Além de outros, como o goleiro Carlos; o back Congo, com passagem pelo futebol uruguaio; o back Baleiro; o half Vadinho, que jogou no Fluminense A. C.,
Sócios Honorários
Ainda em 1927, os sócios honorários eram: Conde Ernesto Pereira Carneiro, Edmundo Leite Bastos, Coronel Luís Leonel de Moura, Dr. Nelson Campos, Dr. Rodolpho de Macedo, Affonso Magalhães, Armando Ferreira, Djalma de Aquino, Agenor Feliz Braga, etc.
Clube deixou a LNF por fato inusitado

Na terça-feira, do dia 12 de Maio de 1936, a diretoria do Nictheroyense decidiu deixar a Liga Nictheroyense de Football (LNF), do qual foi um dos fundadores. A razão que gerou esse ‘racha’ se deveu ao fato de o alvinegro ter solicitado realizar um festival, em comemoração ao seu 23º aniversário. No entanto, o presidente da LNF, o sr. Anisio de Castro Botelho, eleito com o voto do Nictheroyense, negou o pedido.
O clube alegou que todas as entidades que antecederam a LNF, concediam o direto de comemorar a data com a realização de algum evento. O presidente do Nictheroyense, dr. Affonso de Magalhães comentou:
“Assinei o oficio de desligamento do Nictheroyense F. C. Aliás, devo dizer, para evitar possível exploração, que o clube venho a dirigir, não voltara à L. N. F., de vez que se sente prejudicado por ela, desde que dali se afastou o seu benemérito presidente sr. Pereira Gomes e o sr. Eurico Costa, vice-presidente, quando no exercício da presidência”, disse.
Campeão Citadino de 1937
Em 1937, o Niteroiense voltava a ser campeão da cidade, mas junto com o Fonseca. Os dois terminaram iguais no final do 2º turno e jogaram entre si quatro vezes: cada um venceu uma e houve dois empates obrigando a proclamação de ambos como campeões.
O campeonato já era promovido pela ANEA e o alvinegro estreou em 20 de junho de 1937, goleando o Bandeirantes por 5 x 0, com gols de Tavinho (três vezes), Guerra e Anezilio, no campo da rua São Lourenço.
No seu elenco figuravam: Mário Silva, Mário Andrade, Carino Monteiro, Walter Ferraz, Celio Ferreira, Arlindo Ferreira, Joaquim Laper, Reinaldo Patureau, Zalmir Câmara, Herve Saldanha, Albino Ferreira, Otávio Miranda Filho, Joaquim Pinto Guerra, Cicero Monteiro, Anezilio Ramos, Antônio Oliva Guimarães, Rubem Rosa, Waldir Pacheco, Walter de Almeida, Oscar Coelho, Acir Ferraz e Heitor Soares.
A partir de 1937 em diante, o 1º time do Niteroiense nada mais conseguiu em campeonatos, a não ser conquistas oficiosas como torneio início, quadrangular, etc.
Viveu assim, o futebol do Niteroiense, sua grande fase de 18 a 37 apesar de ter apenas dois títulos oficiais. A defasagem, no entanto, foi maior e acompanhando os passos dos demais clubes tradicionais da cidade terminou também com o seu futebol.
Depois, ficou sem o campo vendido a uma imobiliária – e a sede acabou sendo incorporada nas negociações, restando apenas um pequeno acervo que motivou a decisão do presidente do clube em doá-lo a uma instituição de caridade.

Niteroiense se extinguiu em 1981
O jornal O Fluminense deu a matéria sobre o triste fim, do Niteroiense Futebol Clube, no domingo, 25 e segunda-feira, 26 de outubro de 1981:
“O Niteroiense Futebol Clube, tradicional em nossa cidade, está em processo de extinção. Primeiro, perdeu sua seção de futebol: depois o campo e pôr fim a sede, restando ao seu atual presidente Dilermando, apenas o acervo. Mas onde colocá-lo? Sem sede ou local apropriado e cansado de convocar os conselheiros e até mesmo as pessoas tradicionais do clube. Dilermando resolveu destinar todo o material esportivo à uma casa de caridade onde haja garotos para a pratica de futebol.
Desta forma, o Niteroiense FC vai doar publicamente seu material esportivo para o Lar Humaitá ficando a data de entrega a ser divulgada posteriormente. Esta será a medida que selará o fim do Niteroiense Futebol Clube, restrito apenas à figura jurídica do seu atual presidente, Dilermando Soares.”
Algumas formações:
Time base de 1915: Gastão Ramos; Cicero e Damásio; A. Neves, Callado e Nenóco; Ramiro, Cattete, J. Santos, Dick e Mattoso. Capitão: Callado.
Time base de 1917 (1º Team): Gastão Ramos; Damásio e Jovelino; Antônio Neves, Callado e Adalberto; Bibio, Samuel, Freitas, Raymundo e André.
Time base de 1917 (2º Team): J. Barros; Júlio e Cesar; Azamor, Gloria e Pinho; Mario, Bibi, Oscar e Durval.
Time base de 1917 (3º Team): Henley; Manoel e Rocha; Sobral, Portella e Souza; José, Edmundo, Antenor, Renato e Joaquim. Reservas: Minotto, Waldemir, Waldemar, Agenor e Roberto.
Time base de 1918: Gastão Ramos; Jovelino e China; Antônio Neves, Tavares e Beleco; Raymundo, Dic, Bilu, Oscar e Zeca.
Time base de 1919: Gastão Ramos; Jovelino e Damazio; Antônio Neves, Tavares e Melo; Dick, Antenor, Bilu, Oscar e Leci.
Time base de 1927: China; Epaminondas e Humberto (Machado); Carlos Outeiral, Germano e Aristides; Athayde (Campos), Quaresma (Cunha), Nababo (Vavado), Byra e Seixas (seu nome era: Eustachio Gomes da Cruz).
Time base de 1928: Russo (Chico); Epaminondas e Figueiredo (Vicente); Oreste, Germano (Cosme) e Athayde (Tavares); Vavado (Pardal ou Gino), Congo (Orestes), Paulista (Severo ou Verde), Clovis (Sylvio) e Godofredo (Edmundo).
Time base de 1929: Pardal; Congo (Tavares) e Figueiredo (Epaminondas); Cosme, Laca (Nereu, Neném ou Germano) e Júlio; Athayde (Guro ou Décio), Godofredo (Haroldo), Oswaldo (Gastão), Clovis (Motta) e Edmundo (Agenor).
Time base de 1930: Martins; Oswaldo e Luiz; Figueiredo, Laca e Júlio (Tavares); Cosme, Godofredo (Costa), Oswaldo II (Félix), Esquerda e Duque Estrada (Marinho).
Time base de 1931: Carlos; Epaminondas e Oswaldo; Costa, Chiquinho e David; Oswaldo II, João Cabeça, Laca, Castello e Pinto.
Time base de 1932: Carlos; Cesar e Baleiro; Vadinho, Chiquinho e Nicanor; Oswaldo, Dorinho, Cantidio, Paschoal e Naran.
Time base de 1933: Argemiro (Jeronymo); Luiz (Boiadeiro) e Baiaco; Felix (Agostinho), Garrafa e Lulú (Chiquinho); Tude, Dorinho (Vaváo), Manoelzinho (Villas Boas), Nicanor (Raul) e Fernandinho (Haroldo).
ARTE: escudo e uniforme – Sérgio Mello
FOTOS: O Fluminense (RJ) – A Noite (RJ) – Rio Sportivo (RJ)
FONTES: A Manhã (RJ) – A Noite (RJ) – A Razão (RJ) – Diário da Noite (RJ) – Gazeta de Notícias (RJ) – O Fluminense (RJ) – O Imparcial: Diário Illustrado do Rio de Janeiro (RJ) – O Radical (RJ) – Rio Sportivo (RJ)




















