
Por Sérgio Mello
O Santa Marina Futebol Clube (atual: Santa Marina Atlético Clube) é uma agremiação da cidade de São Paulo (SP). Foi Fundado na sexta-feira, do dia 15 de agosto de 1913, por funcionários da antiga “Companhia Vidraria Santa Marina” (Criada em 1892), com o nome de “Santa Marina Football Club”. Tão-somente na década de 70, adotou a nomenclatura atual: Santa Marina Atlético Clube.
A sua Sede atual fica localizado na Avenida Santa Marina, nº 883, no Água Branca (na várzea do Rio Tietê), na Zona Oeste de São Paulo (SP). Recebeu em seus quadros descendentes de imigrantes italianos e é, em regra, um desdobramento do crescimento populacional e fabril da cidade.

Campeão da Lapa em 1945
O Santa Marina Futebol Clube se sagrou Campeão do Campeonato Amador do Bairro da Lapa em 1945. A Campanha: Foram 10 jogos e 16 pontos; com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota; marcando 56 gols, sofrendo 15 e um saldo pomposo de 41.
Jogou o Paulista da Quarta Divisão em 1960
Nos primeiros anos de atividade disputou competições das ligas menores, mas em 1960 se aventurou no futebol profissional, onde disputou por apenas uma temporada O Campeonato Paulista da 4ª Divisão, organizado pela FPF (Federação Paulista de Futebol).
Nesta competição, os times participantes foram divididos em quatro grupos. O Santa Marina ficou na “Série Brasília“. Os outros clubes que formaram o grupo também não disputam mais profissionalismo atualmente. Foram o Cerâmica, de São Caetano do Sul; Rigesa; Volkswagen Clube; Corinthians, de Santo André; Itatiba; Esporte Clube São Bernardo; Lapeaninho e Floresta.
O jogo de estreia, no domingo 26 de junho de 1960, fora de casa, do Santa Marina foi goleado pelo Floresta, de Amparo, por 7 a 3. Uma semana depois, no domingo, 3 de julho, atuando em casa, perdeu para Cerâmica por 4 a 2. No domingo, do dia 24 de julho, jogando em seu estádio, o Santa Marina finalmente conquistou a 1ª vitória, batendo o São Bernardo por 2 a 1.
Depois de 16 rodadas e findo o campeonato, o Santa Marina amargou a última posição de seu grupo, com 12 derrotas e apenas 4 vitórias. A equipe marcou 23 gols e sofreu 32, terminando o certame com um saldo negativo de 19 gols.
Apesar de sua curta trajetória no profissionalismo, o time deixou saudade e até hoje é lembrado com nostalgia pelos amantes do futebol paulista. O clube existe até hoje e se dedica mais às categorias de base e escolinhas de futebol.
Saudosa sede social
A antiga sede social constituía-se em orgulho para o clube, possuindo instalações para a prática de vários esportes, quadra de futebol de salão e um campo de futebol com arquibancada. E para completar, um grande salão de festas.
Outras modalidades esportivas
Muito antes da aventura no futebol profissional, o Santa Marina era conhecido e respeitado pelas excelentes equipes de base que formava, e que se destacavam em jogos amistosos e torneios amadores. E também em outros esportes, como o Boxe, Basquete, Atletismo, Ciclismo, luta Greco-romana e halterofilismo.
O início nos gramados estendeu-se para o futebol de salão, modalidade pela qual o clube foi campeão municipal e três vezes e campeão estadual, formando a Seleção Paulista de Futebol de Salão. No entanto, dentre as conquistas, é pela Taça do Estado de São Paulo que Chiquinho tem maior estima – a do ano de 1932 está na Sala de Troféus que o clube mantém em sua sede.
No Box o clube conquistou uma enormidade de títulos e revelou grandes atletas. Essa história de sucesso pode ser relembrada nos diversos murais que estão a mostra na sede atual.

Categoria de base
Depois do insucesso no futebol profissional, o clube voltou às suas origens amadoras e nunca mais repetiu a aventura. O bom é que as categorias de base continuam a dar alegrias até hoje, apesar do Santa Maria não ter mais todo o espaço que tinha anteriormente à sua disposição.
Perda do terreno
Por toda a história, o clube perdeu muito do seu terreno original, e as instalações clube nem chegam perto do tamanho que já teve um dia. A própria vidraria não é mais a mesma. Hoje pertence a um grupo francês. As duas vilas de empregados que mantinha, Vila Nova e Vila Velha, foram derrubadas e os dois lagos que existiam foram aterrados. No local estão hoje as instalações da TV Cultura.
Para completar, parte da propriedade foi cortada ao meio para dar lugar a Avenida Ermano Marchetti e o fundo da empresa, que se situava ao lado do Rio Tietê, foi perdido quando da construção da Marginal.
Com tudo isso, o espaço ficou menor, o que obrigou a empresa, para não desaparecer, a usar grande parte dos espaços antes utilizados para as práticas sociais e esportivas do clube.
Clube nos dias atuais
Hoje o espaço dedicado às práticas sociais do Santa Marina Atlético Clube se localiza na antiga Vidrobrás. um pequeno espaço, se comparado com o anterior. Lá foram construídos um campo de areia, uma quadra de futebol de salão, um salão de jogos e a nova sede social, onde estão os murais com fotos, taças, troféus e toda a memória do clube. Apesar de tudo, o Santa Marina ainda é clube forte nas categorias menores.
O futuro do Santa Maria ainda é incerto. A empresa francesa, dona do complexo industrial continua a diminuir o espaço concedido ao clube. E para piorar as coisas, dá um auxilio mensal de apenas R$ 400,00. E o clube vai levando a vida, com os sócios abnegados e apaixonados que restaram, lutando para que uma memória paulistana tão bonita não seja apagada do mapa.
Hoje, o retorno do Santa Marina ao futebol profissionalismo é impossível, mas as categorias de base e o futebol dos veteranos ainda sobrevive nas tardes de sábados e domingos pela manhã, no pequeno campo de areia.
ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello
Imagem do escudo: Revista Placar de 1972
FOTO restaurada e Colorizada: Sérgio Mello
FOTOS: Acervo Museu do Futebol – Coleção Santa Marina
FONTES: Pesquisador e Historiador Nilo Dias – Museu do Futebol – Ligia Dona, Pesquisadora – Centro de Referência do Futebol Brasileiro – Gazeta Esportiva (SP)
























