Por Sérgio Mello

O Lavoura Futebol Clube foi uma agremiação do município de Arapongas (PR). Localizado a 380 km da capital (Curitiba) do estado do Paraná, o município possui uma população de cerca de 125 mil habitantes.
O Rubro-negro Araponguense foi Fundado nos anos 40, e o seu maior feito foi ter disputado o Campeonato Paranaense da Segunda Divisão de 1951, organizado pela FPF (Federação Paranaense de Futebol).
O Lavoura chegou para disputar a competição pelo feito do vice-campeão do Campeonato Citadino de Arapongas e o título do Torneio Dr. Idelfonso Marques, ambos em 1951.

O presidente do clube, Carlos Gonçalves acertou a contratação do técnico do Arturzinho (ex-técnico do Clube Atlético Ferroviário, de Curitiba). O elenco recebeu um investimento pesado com as contratações do ex-colorado Rosinha e Tide (ex-Ferroviário).
O meia direita Odilon, bem como o ponta-esquerda Edgard vieram da Associação Esportiva Jacarezinho, onde tiveram um bom destaque. Na meia esquerda tinha o talentoso Miltinho. O médio esquerdo Dema, que brilhou por muito tempo no futebol paulista.
O destaque era o centroavante paraguaio Acosta, que veio do River Plate, de Assunção. O jogador chegou a ser cobiçado pelo Boca Juniors (ARG). O médico do clube era o paraguaio Dr. Ayala.

Com a comissão técnica e elenco montados, o time estava pronto para disputar o Campeonato Paranaense da 2ª Divisão de Profissionais da Zona Norte de 1951. A competição, que transcorreu em turno único, contou a com a participação de oito clubes:
Associação Atlética Cambaraense (Cambará);
Associação Esportiva e Recreativa Jandaiense (Jandaia do Sul);
Bela Vista Futebol Clube (Bela Vista do Paraíso);
Esporte Clube Recreativo Operário (Londrina);
Guarany Futebol Clube (Cambé);
Lavoura Futebol Clube (Arapongas);
Nacional Atlético Clube (Rolândia);
São Paulo Futebol Clube (Londrina).
No final, o Lavoura terminou na 3ª colocação, com 8 pontos em sete jogos: foram quatro vitórias e três derrotas; marcando 21 gols, sofrendo 12 e um saldo de nove tentos.
O campeão foi o Nacional de Rolândia, que somou 11 pontos, enquanto o Cambaraense foi o vice-campeão com 10 pontos. A campanha do Lavoura de Arapongas foi a seguinte:
| 28 de outubro | Lavoura | 6 | X | 3 | Jandaiense |
| 04 de novembro | Bela Vista | 2 | X | 1 | Lavoura |
| 11 de novembro | Lavoura | 1 | X | 0 | Cambaraense |
| 18 de novembro | São Paulo | 3 | X | 7 | Lavoura |
| 25 de novembro | Operário (L) | 3 | X | 2 | Lavoura |
| 02 de dezembro | Lavoura | 1 | X | 0 | Nacional * |
| 09 de dezembro | Guarany (C) | 1 | X | 3 | Lavoura |
* Nacional conquistou os pontos

AGACHADOS (Esquerda para a direita): Tostoy, Artista (Adolfo Shimika), Leônidas, Valente, Tide e Luiz Borracha.
Lavoura enfrentou o poderoso Água Verde
A boa campanha rendeu convites para jogos de ‘peso’, como o que aconteceu no domingo, do dia 27 de janeiro de 1952, quando o Lauvora Futebol Clube foi até Curitiba enfrentar o forte Esporte Clube Água Verde. No final, o time de Arapongas acabou derrotado pelo placar de 4 a 2, no Estádio Joaquim Americo, em Curitiba/PR.
O Diário da Tarde (PR), assim fez a seguinte crônica do jogo:
– Não houve afinal de contas nada de novo na exibição do Lavoura. E para usarmos mesmo de uma franqueza, talvez rude, é forçoso reconhecer, ele nos pareceu um team medíocre e nada mais que isso. Individualmente vivendo dos esforços isolados de quatro ou cinco elementos, os mais categorizados do onze Valente. Donezzo, Rosinha e Acosta.
E só isso, repetimos. Nem um milímetro mais. Lamentável e decepcionante. Tide, de quem se dizia maravilhas, não rendeu nada além daquilo que se sabia como possibilidades normais. Elemento bisonho e sem maiores recursos, e em cujo setor tanto Belmonte como Cezar Frizzio passearam a inteiro gosto.
E disso um prélio fraco e despido de maior interesse em que o Água Verde dominou a seu bel prazer, “bateando” em muitos instantes sem sombras de resistência maior ou melhor definida. Aliás, o alviceleste reapareceu esplendidamente. Principalmente porque não se surpreendeu ao primeiro embalo do adversário, deixando, antes, passar o seu “fogo” para depois dominá-lo segura e suficientemente, e em razão do que marcou a vantagem nítida de 4 a 2.
SELOU, CARIMBOU E SACRAMENTOU…
E em consequência: O Água Verde selou, carimbou e sacramentou uma ascendência técnica a que não tem limites e nem paralelos. Não foi por nada que triunfou lá mesmo em Arapongas por 5 a 3. O seu quadro é evidentemente muito melhor e o seu padrão de jogo mais efetivo, mais consistente e mais articulado.
Também individualmente os seus jogadores são muito melhores, o que de resto dispensa maiores comentários. A esperada revanche, portanto, deixou de existir. E decisivamente o Água Verde cristalizou a sua vantagem e o potencial maior do seu conjunto.
PEQUENO O PÚBLICO CONSPIROU O TEMPO
E para um jogo assim fraco também foi o público Assistência pequena e disso renda mínima de Cr$ 12.909,00. Muito pouca e que veio estabelecer um prejuízo para o alviceleste, que terá de arcar com um total de pelo menos 15 mil cruzeiros.
Diga-se não obstante, à guisa de referência, apenas, que o mau tempo conspirou. Ameaçando chuva desde cedo, afastou da cancha, inegavelmente, grande parte da torcida.
OS TENTOS DO ENCONTRO
A contagem foi aberta aos 16 minutos de jogo, posteriormente a um pelotaço de Odilon no travessão superior. Houve na recarga uma falta na entrada da área, cobrando-a Rosinha precisão absoluta para assim marcar o tento que viria a ser o único dos seus.
O empate do Água Verde nasceu aos 26 minutos, assinalando Cezar Frizzio, de cabeça ao escorar um centro de Tibica, na cobrança de uma falta. Tento característico do atacante alviceleste. O desempate nasceu ainda por intermédio de Cezar, aos 36, culminando o mesmo Cezar no rebate de Mario, numa disputa com Belmonte, 3 a 1. E finalmente aos 41 minutos, aproveitando-se Belmonte de uma “furada” espetacular Tide.
Na etapa complementar, Paulinho ampliou para 4 a 1, aos 8 minutos e Miltinho diminuiu aos 26, cobrando uma penalidade máxima concedida por Barbosinha.
FIGURAS DESTACADAS DO JOGO
Individualmente, Rubio, Barbosinha, Belmonte e Cezar Frizzio foram os melhores do Água Verde. No lado do Lavoura os mais esforçados foram Valente e Donezzo. Os outros entre regulares, fracos e muito fracos.

OUTROS DETALHES DO ENCONTRO
Na preliminar entre os quadros do Operário do Ahú e do Madureira, o primeiro venceu pelo alto escore de 4 a 1. Vantagem nítida do melhor quadro em campo.
A arbitragem esteve a cargo do sr. Benedito Souza Lima, da Segunda Divisão Extra de Profissionais. Conduta regular, prejudicada por lances em que beneficiou os infratores.
Os quadros que atuaram com os seguintes atletas:
LAVOURA: Mario; Tide (Louro) e Leonidas (Tide); Ayala, Valente e Dema; Rosinha, Odilon (Edgard), Acosta, Miltinho e Donezzo. Técnico: Arturzinho.
ÁGUA VERDE: Vadico;Rubio e Nhoca; Tibica (Mario), Ítalo (Salim) e Barbosinha; Didico, Mario (Pó), Belmonte, Cezar e Paulinho (Valdomiro). Técnico: Mario Rosseto.
A Federação Paranaense de Futebol (FPF) concedeu filiação em caráter extraordinário o Lavoura, na segunda-feira, do dia 20 de setembro de 1954.
Time base de 1949: Turco; Adair e Carioca; Ditinho, Baianinho e Bauru; Milton, Isac, Atacilio, Antoninho e Vadico.

ARTE: desenho dos escudos e uniformes – Sérgio Mello
FOTOS: Página no Facebook “Acervo Futebol Paranaense de Profissionais” – Acervo de Reinaldo José Esper
FONTES: Rsssf Brasil –Diário da Tarde (PR) – A Tarde (PR) – Paraná-Norte (PR)






















