
Por Sérgio Mello
O Riachuelo Football Club, da Marinha de Guerra foi uma agremiação da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A sua Sede ficava no Arsenal da Marinha, na Praça Barão de Ladário, s/n, na Ilha das Cobras, no Centro do Rio (RJ). Na década de 30, as reuniões eram realizadas na Sede do Mauá F.C., situado na Rua Sacadura Cabral, nº 95, no bairro da Saúde, na Zona Portuária do Rio/RJ.
O “Auriverde Riachuelense” foi Fundado na quinta-feira, do dia 14 de dezembro de 1911, por um grupo de destemidos marinheiros, que não obstante obstáculos conseguiram à custa de esforços tirar do papel a ideia de criar uma nova agremiação.
Apesar de ser um clube modesto, a exatos 16 anos depois da sua fundação, o Riachuelo já contava com mais de 600 sócios. Além do futebol também contava com uma equipe de Ping-Pong (Tênis de Mesa) e Water-Polo (Polo Aquático).
Os treinos de futebol, na sua maioria, eram realizados no campo do Fortaleza. No futebol, o Riachuelo realizou diversos jogos contra os grandes times dos anos 20, sendo amistosos, jogos treinos ou meros treinos.

Diretoria eleita da 1927
No sábado, às 15h12min., do dia 31 de dezembro de 1927, perante grande número de associados foi empossada a nova diretoria do Riachuelo Football Club, assim constituída:
Presidente – Octavio Dias;
Vice-presidente – Manoel Hyppolito de Oliveira;
1° Secretário – Adelio Rego;
2° Secretário – Jorge Romero de Souza;
Thesoureiro – José Teixeira Barbosa;
1º Procurador – Josino Antunes Martins;
2º Procurador – Sylvio Peçanha;
Captain Geral – David F. Lima.
Entre troféus e medalhas mais de 100
Em 1927, o Riachuelo F. C. possuía cerca de 70 troféus e um brasão com 60 medalhas pertencentes aos seus associados, ganhas em diversos esportes, tais como: Futebol, basquete, water-polo, voleibol, ping-pong, natação, regatas, dominó, corridas, saltos, etc.
Os componentes da esquadra principal de football eram: China, Oswaldo, Medina, Bahianinho, Peçanha, Toppel, Eugenio, Eurydes, Agenor, Nunes, Chimango, Cardoso, Petis, Alexandre, Monteiro, Catita, Noite, Castorino e Naval.

Troféu Comandante Sarrat
No sábado, do dia 03 de dezembro de 1927, o Riachuelo derrotou o seu coirmão Villegagnon F. C. pelo score de 1 a 0. O gol da vitória foi assinalado pelo seu antigo e incansável amador Agenor, ganhando desta forma a taça denominada “Comandante Sarrat”.
O team estava assim constituído: China; Bahianinho e Medina-Oswaldo; Eugenio, Toppel e Agenor; Catita, Petiz, Nunes, Monteiro e Noite.
No domingo seguinte, o Riachuelo conquistou mais um troféu no campo do America Suburbano, vencendo com o seu Team B, um combinado, por 3 a 0, sendo os pontos feitos pelos players Alexandre e Aragão. Eis o team: Paiva; Sylvio e Ormindo; Eurydes, Apparício e Gonçalves- Wamburck; Hugo, Alexandre, Noronha, Lauriano, Aragão e Naval.
Riachuelo enfrentou o Atlético Mineiro
O jornal A Batalha, fez uma bela reportagem sobre a excursão do Riachuelo Football Club, na capital de Minas Gerais, para realizar dois amistosos contra o Combinado Mineiro no 1º jogo e depois diante do Clube Atlético Mineiro, na segunda e última partida. Abaixo, a matéria na íntegra:
– Belo Horizonte, cidade mineira por excelência, possuidora de um povo hospitaleiro, com um clima tão benéfico quanto salutar, teve, por iniciativa do Palmeiras F. C., a felicidade de agasalhar por alguns dias uma plêiade de denodados players que com galhardia representaram a nossa Marinha de Guerra.
Esta plêiade foi a do Riachuelo F. C., club que pelas suas tradições sabe honrar o bom nome e grande fama do association nas corporações militares, onde a Marinha é bem conceituada.
Não podíamos deixar desapercebido nem passarmos sem comentar aqui nas nossas colunas, o que de facto vimos na bela cidade mineira por ocasião dos interestaduais formados pelo valoroso grêmio dos marujos.
Como diz no subtítulo desta nota “O club da Marinha perdeu na bola, mas, venceu na disciplina“. Foi o percebemos desde que pisou ao solo belo-horizontino.
Em todas as oportunidades os defensores do club verde amarelo deram provas da sua educação sportiva. Souberam vencer como melhor souberam perder. Enfrentaram os seus coirmãos mineiros com uma lealdade sem qualificativos.
Em duas partidas de football que tiveram, fugiu-lhes a sorte e perderam, sendo que na última o score foi elevadíssimo, mesmo assim, em nada lhes preocupou o score, pois deixaram o gramado com o mesmo sorriso que entraram.
Assim, podem es “riachuelenses” se envaidecerem e gritarem a viva voz que são as verdadeiros compreendedores da educação esportiva.
UM LIGEIRO REPARO
Também não podíamos passar sem deixar nesta coluna o nosso protesto aos colegas de Belo Horizonte, que se estenderam em demasia nas suas propagandas chegando ao ponto de chamar os “riachuelenses” de representantes oficiais do association da Marinha, coisa inteiramente diversa e podemos garantir que a embaixada de marujos que pisou em Belo Horizonte, foi o Riachuelo F. C., club de uma organização perfeita, e capaz de qualquer missão sportiva.
1º JOGO: RIACHUELO X SCRATCH MINEIRO
No domingo, do dia 08 de fevereiro de 1931, este jogo teve como juiz o nosso colega Waldemar Silva, cuja atuação foi regular, sendo substituído no 2º tempo, conforme combinação previa entre os diretores do Riachuelo e Palmeiras pelo sr. Donorte André. Teve início esta partida às 16 horas com os quadros assim organizados:
Scratch Mineiro: Armando; Pedercin e Tayan; Virgílio, Brant e Nininho; Piorra, Ninão, Satyro, Chaffyr e Cunha.
Riachuelo F. C.: Ovidio; Fraga e Varella; Rita, Chaves e Eugenio; Pará, Zé Luiz, Carioca, Aragão e Ribeiro.
Primeiro Tempo
Transcorreu o 1º tempo com ataques recíprocos sem nenhuma técnica, pois para isto corroborou o estado do campo que era péssimo. Aos 7 minutos de jogo, Cunha marca 1º gol para o Scratch mineiro, para as 16h40min., terminar a etapa inicial com o score de em favor dos mineiros.
Segundo tempo
Às 17 horas com o juiz Donorte deu início a etapa final. Neste tempo, os mineiros souberam impor diante aos marujos que foram impotentes para conter os ataques, e desta forma não evitaram que Nininho e Chaffyr conquistassem dois gols para os seus, enquanto Carioca conquistava único tento para o Riachuelo F.C.
Sem mais interesse terminou encontro às 17h40min., com a vitória do Scratch Mineiro por 3 x 1.
Houve uma preliminar entre o Calafate e Guarany em que saiu vencedor o quadro do Guarany por 2 x 1.
2º JOGO: RIACHUELO X ATHLETICO MINEIRO
Este segundo interestadual foi entre o Riachuelo F. C. versus Club Athletico Mineiro, à noite, no stadium Antônio Carlos. Como a exemplo do 1º jogo teve partida os mesmos juízes srs. Waldemar Silva e Donorto André. Os quadros para este encontro formaram assim:
RIACHUELO: Ovidio; Fraga e Authemio; Eugenio, Ritta (depols Toppel) e Chaves; Louveira, Zé Luiz, Carioca, Aragão e Esquerdinha.
ATHLETICO: Armando; Evandro e Binga; Cordeiro, Brant e Mario Gomes; Naná, Said, Orlando, Chaffyr e Cunha.
Primeiro Tempo
No 1º tempo deste jogo teve início às 21h40min. Logo de início os atleticanos se aproveitaram da sua superioridade e conquistaram cinco gols por Intermédio de Naná e Brant (dois tentos cada); Authenio, marcando um tento contra, terminando a etapa inicial às 22h23min., com o score de 5 x 0, em favor de Minas.
Segundo tempo
Foi dado o início pelos “riachuelenses” às 22h45min., e aos 15 minutos de jogo Cunha aumentou o score em favor dos seus. Mais 15 minuto Orlando fez o 7º gol. Às 23h21min., Naná recebendo em visível off-sid (impedimento) um passe do Said fechou a contagem dos seus, marcando o 8º gol. Mais quatro minutos de jogo terminou o grande encontro que teve como vencedor os atleticanos pelo score de 8 x 0.
Na preliminar, entre o Fluminense x C. Prates, saiu vencedor o quadro do Fluminense por 1 x 0, goal conquistado por Carlinhos, de pênalti.
O REGRESSO DOS RIACHUELENSES
Chegaram a esta cidade de regresso de Belo Horizonte, na quarta-feira, dia 11 de fevereiro de 1931, às 24 horas, a embaixada do Riachuelo F. C. Fizeram uma viagem excelente.
Algumas formações:
Time base de 1926: China; Alpino (Castorino) e Danton (Oswaldo); Cardoso (Fausto), Toppel e Affonso (André); Chimango, Nunes (Paiva), Hugo, Petiz e Agenor. Reservas: Nahor, Alexandre, Flores, Eugênio e Peçanha.
Time base de 1927: China; Bahianinho e Medina-Oswaldo; Eugenio, Toppel e Agenor; Catita, Petiz, Nunes, Monteiro e Noite.
Time base de 1931: Ovidio; Fraga e Authemio; Eugenio, Ritta (Toppel) e Chaves; Louveira, Zé Luiz, Carioca, Aragão e Esquerdinha. Reservas: Varela, Antônio, Pimentel, Bomfim, Paiva, Pará, Christiano, Vacca, Tartaruga, Faísca, Sylvio, Levi, Caboclo, Mãozinha, Mendes, Paranhos, Hippolyto, Gonçalves e Galeguinho.
ARTE: desenho do escudo e uniforme – Sérgio Mello
FONTES: A Batalha (RJ) –A Manhã (RJ) –A Noite (RJ) – A Rua: Semanario Illustrado (RJ) – Diário de Notícias (RJ) – Jornal dos Sports (RJ) –O Imparcial (RJ) – Rio Sportivo (RJ)


























